Sexta, 30 de janeiro de 2009
De Olho na Agricultura
Discussão de temas esclareceu e mostrou à população mais sobre o setor
Enviado por: Ingrid Alves
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- Cambuhy abriga diversas culturas e desenvolve tecnologia (Foto: Divulgação)
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Durante quase quatro meses a série De Olho na Agricultura mostrou, através do Saiba Já e da TV Matão, muitos aspectos que envolvem o setor, um panorama das culturas, processos, equipamentos, tecnologia e pessoas que trabalham na área.
A cidade de Matão (SP), basicamente ligada ao primeiro e segundo setores, tem na agricultura sua base econômica. Mas antes de apresentarmos as culturas e equipamentos discutimos a importância das áreas verdes na cidade e no campo, para manter a qualidade do ar, preservar o solo e controle genético. Aprendemos que por lei toda propriedade deve manter cerca de 20% de sua área para reserva legal, além das áreas de preservação permanente, as APPs, no leito de rios e nascentes. Quando se fala em reflorestamento, a ideia é usar plantas nativas, na valorização do que é nosso.
“A gente tem uma cultura importada, acha que o que é bonito vem de fora”, relatou Maurício Abreu de Toledo, paisagista.
Depois, a citricultura ganhou destaque com a discussão da cultura, que movimenta R$ 9 bilhões por ano e gera mais de 400 mil empregos diretos só no estado de São Paulo e do greening, considerada a pior doença do citrus também porque derruba o fruto antes da colheita. O psilídeo transmissor da doença migra de um pomar para outro, por isso também é importante que todos tomem as devidas precauções. Produtores que fizeram vista grossa e acharam que a doença não ia perdurar hoje têm até 60% de sua produção comprometida já que toda a planta deve ser arrancada assim que a doença for identificada.
“Onde existe o greening não existe uma produtividade de laranja”, lembrou o engenheiro agrônomo Fernando Eduardo Amado Tersi.
Foi apresentada também uma cultura que há muito não era produzida na região, o café. Em Matão, a empresa Cambuhy possui 300 hectares de pés plantados. A poda e o sistema de irrigação impulsionam a produção do grão. Para garantir a venda, o café é valorizado quando passa por um processo de controle de qualidade que começa já no plantio.
“A qualidade do café depende de vário fatores, desde uma muda bem formada até uma lavoura com um maturação perfeita para que assim a gente possa fazer a colheita”, ressaltou Virgílio Pimenta de Pádua Neto, Controlador de Qualidade de Café.
Dos 14 mil hectares que a Cambuhy possui 530 estão destinados a produção de látex, o que faz da área uma das maiores em produção no estado e coloca Matão com um dos maiores seringais de São Paulo. Muitas especificações da cultura foram discutidas e viu-se que o mercado está promissor.
O supervisor agrícola de seringueira, Paulo Júnior de Melo, lembrou que “a borracha consumida no mundo é insuficiente para o que se necessita hoje”
Vimos na sequência de matérias que todo o sucesso das culturas na região é proporcionado por fatores que nem sempre estão na terra. A mecanização com o desenvolvimento e adaptação de técnicas e equipamentos diminuem custos de produção porque diminuem valores agregados.
A irrigação por gotejamento evita esperdício de energia e recursos naturais. Com a fertirrigação é possível utilizar a tradicional irrigação para aplicação de fertilizantes aproveitando o mesmo canal. Tudo é feito com equipamentos de tecnologia de ponta. Os vários experimentos realizados apontam maior produtividade nas variadas culturas. Com a fertirrigação, é possível um aumento de 40% na produção da laranja e até o dobro no café. Um sistema implantado no campo também manda as informações do solo para o escritório, de onde é possível enviar comandos para as máquinas e monitorar a irrigação.
“A produtividade fica muito maior com a irrigação”, comentou Joslei Primo de Aguiar, Encarregado de Irrigação.
Mas a aplicação da tecnologia no campo é muito mais ampla. A Cambuhy desenvolveu e aplica uma série de sistemas de informação que controla todos os movimentos no campo, desde quantidade de produtos utilizadas em determinadas operações, como entrega de equipamentos e atendimentos de funcionários no ambulatório.
“Toda essa comunicação via rádio auxilia nesse sentido, na coleta de informações para tomada de decisões”, explicou José Augusto Siqueira, Gerente de Informática.
Mas tudo isso só é possível quando há a preocupação com o funcionário e o seguimentos de regras. A Cambuhy segue à risca e incrementa itens relacionados a Segurança do Trabalho. Todos os funcionários recebem os Equipamentos de Segurança Individual de acordo com a área de atividade e medidas coletivas para neutralizar riscos também são adotadas. Além disso, o funcionário também possui um plano de carreira e há a possibilidade de ascensão profissional. Atenta ao mercado de trabalho em expansão, a empresa realiza treinamento e formação de mão de obra com a escola de tratorista e de sangria. Projetos também são desenvolvidos como Alfabetização de Adultos, Escola Complementar e Ginástica Laboral.
“Sendo valorizados, eles podem estar gostando do que fazem e do que desempenham e por isso a produtividade vem naturalmente”, lembra José Osmar Gandin, Supervisor de Recursos Humanos.
Por isso a Cambuhy investe também para que as pessoas tenham acesso a essas informações e é otimista quanto ao futuro na área.
“A gente quis dar uma visão para quem nos assiste que apesar das dificuldades que a agricultura enfrenta, apesar dos problemas de pragas e doenças, de clima, de comércio, a agricultura pode ser rentável com a aplicação intensiva de tecnologia como foi mostrados nos últimos programas”, finaliza o diretor geral da Cambuhy Agrícola, José Luiz Amaro Rodrigues.